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ENTREVISTAS

 

Por Soraia Gama

Depois de quatro anos à frente do elenco de "Chiquititas", do SBT, Flavinha Monteiro se despede da simpática Carolina e retorna em definitivo para o Brasil. "Minha vida se divide em antes e depois de 'Chiquititas'. A Carolina é tudo aquilo que eu sempre quis ser", derrama-se.

Você quer ter filhos?

Quero, mas não agora. Seria ideal poder educar meus filhos com a cabeça da Carol. Sei que vou levar para o resto da vida as coisas que esse personagem me deu.

Como o quê?

Ela alimenta os sonhos, o pensamento positivo, o poder do amor... O mundo está tão cruel que essas coisas se perdem. Hoje, as crianças dançam de minissaia e supermaquiadas, ninguém respeita as etapas e 'Chiquititas' resgatou um pouco a fantasia, o sonho e a inocência do primeiro beijo.

Mas algumas mães acharam que essa inocência se perdeu ao longo desses três anos...

'Chiquititas' quis mostrar para o público a transição da fase infantil para a adolescência. Hoje uma menina de 15 anos já é responsável. A nossa preocupação é mostrar as dificuldades dessa fase.

Tem saudade e vontade de fazer novela no Brasil?

Adoraria, de preferência uma personagem diferente da Carolina para mostrar outro lado do meu trabalho.

Acha que sua carreira foi prejudicada?

Claro que sim. No Brasil, a TV tem o poder de rotular as pessoas. Se o ator faz um personagem e dá certo, acaba marcado. No meu caso, imagino que os profissionais da TV viram que deu certo e pensam: "Ela sabe fazer a boazinha".

Você sente preconceito por parte dos atores brasileiros?

Nas poucas vezes em que me encontro com artistas, a maioria pergunta se não tem um papel para eles na novela. É claro que existe preconceito. Ou porque é 'Chiquititas', ou até mesmo por ser no SBT. Mas isso não me importa.

Em algum momento você se arrependeu de ter aceitado este papel?

Nunca me arrependo do que faço, mas do que não faço. Pensei muito antes de sair de perto dos meus pais. Era uma novela que ninguém sabia no que ia dar e, de repente, com um monte de criança desconhecida deu certo. Sei que não estou na categoria das melhores atrizes brasileiras.

 

ETERNA MOLECA (Contigo Criança Ago/99)

A atriz, que interpreta a Carolina em Chiquititas, fala de namoro, colegas e conta as travessuras que já aprontou na vida.

É verdade que você vai sair de Chiquititas?

Meu contrato termina em dezembro. Mas se a novela continuar no ano 2000 e me fizerem uma proposta legal, vou pensar com carinho. Só tenho certeza de que, assim que voltar a morar no Brasil, vou produzir um musical infantil e uma peça de teatro para adultos.

Dos atores que já deixaram a novela, de quem você sente mais saudades?

Sinto saudade de todos. Formamos uma grande família. Criamos fortes laços de amizade. Gravar Chiquititas não é nada fácil. Ficamos com saudades dos parentes e dos amigos. Sempre telefono ou procuro encontrar os ex-colegas. A verdadeira amizade deve ser mantida para sempre!

Você está namorando um argentino chamado Martin. Conte essa história...

Estou namorando ele há oito meses. Martin é coordenador de produção dos estúdios Teleinde, onde a novela é gravada. Por incrível que pareça, a gente se viu pela primeira vez em São Paulo, num dos shows das Chiquititas no ano passado. Sempre que sobra um tempo, nós passamos o fim de semana no Brasil.

Quais as diferenças e semelhanças entre você e a Carolina?

Assim como a Carolina, eu acredito nas pessoas e num mundo melhor. Além disso, adoro criança, sou sonhadora, lutadora, superfamília e apaixonada pela vida. Mas sou menos paciente que ela. Não aguento ficar esperando que as coisas aconteçam. Vou atrás até conseguir o que quero. Carolina é mais conformada.

Trabalhar com um elenco de crianças não deve ser fácil. Você já sofreu alguma travessura?

Um dia as crianças fizeram uma festa no prédio onde elas moram. Me chamaram pra brincar de gato-mia com as luzes apagadas. Me jogaram no chão e até fui parar debaixo de uma cama. Meu vestido que era preto, ficou cheio de pelos por causa de um tapete. Aprontaram muito comigo.

Rola por aí que você quase explodiu a sua cozinha...

Essa história já se espalhou?!...Uma vez, tentei fritar uma porção de batatas. O óleo estava muito quente e a frigideira soltou labaredas. O fogo subiu pela parede e eu começei a gritar. Sorte que o meu ex-namorado estava em casa e deu uma de bombeiro. Sou um desastre na cozinha!

Como você faz para decorar os textos?

Antes de entrar em estúdio pra gravar, eu imagino como vai ser a cena. Como tenho o domínio do personagem, posso improvisar bastante. Gravo no mínimo doze cenas por dia.

Você consegue ler e responder todas as cartas que recebe?

Recebo mais de 3000 cartas por mê. Tenho vários modelos de cartas feitos no computador. Para algumas crianças que me contam histórias especiais, escrevo de próprio punho.

Qual a sensação de virar uma boneca?

Imagina! Eu acho que nunca ninguém sonha que isso possa acontecer. Quando era criança, passava horas brincando com bonecas, e hoje as meninas se divertem comigo! Quando pego a minha boneca no colo, sinto como se fosse mãe dela.

Go Where? São Paulo(Dez/98)

FLAVIA MONTEIRO: CHIQUITA PERO NO MUCHIO entrevista LUIZ FRANÇA

Muita gente aceitou com simpatia a idéia de você ser capa da nossa edição de final de ano. Mas teve um detalhe que achei engraçado: É só falar em Flávia Monteiro que todo mundo acaba te chamando de Chiquitita.

FLÁVIA MONTEIRO: (rindo muito): Esta situação chega a ser complicada até um certo ponto. Minha maior preocupação para o futuro é justamente as pessoas associarem, definitivamente, minha imagem com a Carolina (n.r.: nome do personagem que ela interpreta na novela portenha "Chiquititas"), porque é um personagem muito forte junto às crianças. Afinal, ela é politicamente correta e representa o lado do bem, ao contrário do personagem interpretado pela atriz Débora Olivieri, que personifica o mal. Então, é normal a associação, porque o personagem é muito forte. É a primeira novela longa que trabalho, normalmente uma novela dura seis a oito meses, e "Chiquitita" já está entrando no segundo ano. Agora a gente vai tirar férias, e só volta em abril, e vou ficar um pouco longe do público... Olha, não é uma coisa que me incomoda, pelo contrário, estou achando bárbaro. Afinal, estou conseguindo, através das crianças, que forma um público exigente, portanto, sabe o que quer, a gostar do meu trabalho. Criança quando gosta fica feliz, se não gosta, chora...enfim, acho muito legal ter este tipo de retorno, inocente como toda criança é, mas ao mesmo tempo puro e sincero

E esta idéia de morar em Buenos Aires, está valendo a pena?

Está sendo bárbaro. O convite para participar na novela "Chiquititas" veio num momento muito oportuno e importante na minha vida, um momento que costumo dizer que é de transição. Veio para definir, ou melhor, para concretizar a fase de mudança que estava passando. Então, o fato de morar em Buenos Aires, se distanciar do Brasil, ficar longe das pessoas queridas e conhecidas, passar por esta experiência de morar sozinha, sem poder pedir colo quando precisar e ter que enfrentar as coisas por si é um crescimento e amadurecimento muito grande na vida de qualquer pessoa, tanto pessoal quanto profissional. E é importante também porque você passa a conhecer uma nova cultura, a trabalhar com pessoas que tem uma forma diferente de trabalhar, onde as pessoas esranhas são obrigadas a se adaptar ao novo habitat Nestas horas a gente passa a valorizar determinadas coisas que você nunca considerou, enquanto passa também a abrir mão de outras coisas tipo "Hum, acho que isto eu posso eliminar..."

Na ponte da amizade, lado brasileiro, as pessoas referem-se a você com respeito e carinho. E quanto ao lado argentino?

Você está se referindo ao público, não é?

Correto.

A novela é transmitida na tevê a cabo, onde o sistema está instalado em alguns bairros da cidade. Portanto, uma abrangência limitada. É engraçado porque não é como no Brasil, onde não posso andar solta pelo shopping, por exemplo. É bem diferente. Em Buenos Aires tenho mais liberdade, muito embora percebo que o argentino tem aquela coisa de ser um pouco...

Reservado.

Exato. Quero dizer, não tem aquele jogo de cintura que o brasileiro tem. Quer dizer, então, que você prefere ficar na surdina, aquela história de poder transitar a vontade, ao invés de ser assediada, não ter privacidade... Eu acho bárbaro, mas também sinto falta do calor do público brasileiro. Eu fico muito pressa em Buenos Aires e não tenho noção do que acontecendo aqui. A gente está lá e não sabe como está indo a novela, o que as pessoas acham, como está o Ibope...

E você encara bem uma avaliação sobre seu trabalho, quero dizer, uma crítica quanto a sua participação na novela?

Claro que sim! Se for uma crítica construtiva, eu aceito. Agora, tudo que é sucesso, sem explicação plausível para tal, desperta a curiosidade das pessoas. Como é que uma novela pode fazer sucesso, se não tem um elenco de primeiro, é feita na Argentina e não tem o padrão global? Simples: é uma novela feita para criança, e daí consiste o seu sucesso (n. r.: Flávia está com a razão. Ao lado de Xuxa, Angélica e Eliana, ela desfruta de um invejável prestígio perante o público infantil. O mais recente show das "Quiquititas", em São Paulo, reuniu quase 22 mil pessoas). O que acho legal é que as crianças quando me escrevem (n.r.: ela recebe de 3 a 4 mil cartas p/mês) endereçam o destinatário para a Flávia Monteiro, mas dentro vem para a Carol.

Que bom que elas sabem quem é quem.

Também acho. Eu luto deste os 14 anos para firmar o meu nome profissional, e agora mais do que nunca tenho que trabalhar bem nisto, porque o personagem da novela é muito forte. Eu não posso permitir e nem deixar que Carolina seja mais forte do que a Flávia Monteiro. 'Hum, Flávia Monteiro, a Chiquitita.' Não! Eu quero mostrar para as pessoas que posso fazer outras coisas também, que também tenho a capacidade de poder, de repente, fazer uma coisa completamente diferente. Então, o meu trabalho para o futuro, depois que terminar a novela, isto para depois do ano 2000, vai ser canalizar para fazer uma coisa completamente diferente.

Como aconteceu o convite para entrar na novela.

Eu já estava contratada desde 94 do SBT, e foi o Newton Travessos quem me convidou para participar da novela.

A idéia de morar fora do Brasil não te deixou assustada? Largar tudo, enfrentar pessoas que você não conhecia...

Bem, na hora eu fiquei com um pouco assustada e com receio de fazer uma coisa que não conhecia. 'Será? Pensei'. Na verdade, a gente sempre fica preocupada em fazer bons trabalhos, aceitar bons personagens, enfim... Depois que me mudei para São Paulo (n. r.: Flávia é carioca), minha vida profissional foi se concretizando mais, os convites para trabalhar aumentando, fui adquirindo um pouco mais de consciência profissional e responsabilidade...

E você interpreta, dança e canta, inclusive, está até com um CD no mercado. O quer você quer ser quando crescer?

(Rindo muito). Eu estou um pouco na corda bamba. Eu tenho que saber conduzir tudo muito bem. Mas eu encaro tudo com desafio. Aliás, eu adoro desafios. Todos os convites de trabalhos que, no primeiro instante, exigiriam muito de mim, eu já ficava...

Assanhada?

Exato. No começo fico indecisa se estou preparada ou não para o trabalho, mas daí o meu lado artístico aflora de tal maneira que acabo encarando o trabalho com fervor e desafio.

Estou curioso para saber como é o seu dia a dia em Buenos Aires.

É muita correria. Tem as gravações da novela, freqüento academia, tenho aulas de canto...

Gente! E a diversão e o lazer, como é que fica? Quando é que você descansa, então?

Nunca.

E você se sente muito sozinha.

Eu não tenho muito tempo para pensar, porque trabalho muito. Mas quando chega nos fins de semana, onde geralmente no Domingo eu costumava passar com a minha família, vai dando um tédio, aquela saudades e vontade de poder estar com minha família, que não tem jeito. A conta do telefone vai lá em cima...

Mesmo assim, vale a pena ficar lá?

Vale. Eu gosto muito. Buenos Aires é uma cidade maravilhosa, uma cidade cultural, e estou aprendendo muito com a cultura argentina, que é muito parecida com a européia. A efervescência cultural é fantástica. Eu moro na Rigoletto, então, perto da minha casa o movimento cultural é intenso. Então, acho muito importante estar participando e aprendendo com o que acontece na cidade.

Dentro deste contexto, como é que você se vê atualmente?

Acho que amadureci bastante. Eu me vejo muito mais profissional...

Chega a se sentir um pouco estrangeira quando está em São Paulo?

Um pouco. É engraçado isto: o Brasil virou para mim como se fosse férias, tipo estou de passagem... (pausa) Quando fico muito tempo aqui, já dá vontade de voltar. Eu não sei como será o dia em que voltar definitivamente. Acho que vou sofrer um pouco.

E nesta loucura toda como é que fica seu lado sentimental.

Não fica. Não tem.

Não é importante manter o equilíbrio das coisas?

Bom, é o seguinte: eu passei muito tempo... Não, a verdade é que eu estipulei prioridades na minha vida. É claro que o equilíbrio é o ideal, onde você pode fazer um pouco de cada coisa. Mas eu penso que o fato de ficar fora do meu país, exigiu muito da Flávia como profissional. E nem falo como pessoa. Então, penso que seria complicado ter um envolvimento sentimental neste exato momento.

Mas não conheceu nenhum argentino interessante....

(Surpresa). Não, porque praticamente eu só trabalho. E depois tem aquela coisa de começar a sair com alguém e acabar se apaixonando. E daí, como é que fica quando tiver que ir embora?

Você se apaixona facilmente?

Se a pessoa for maravilhosa, de boa índole, que tenha tudo que a mulher gosta, ou seja, de encontrar alguém que cuide de você, enfim...(pausa) Eu prefiro deixar um pouco de lado o aspecto emocional. Eu quero aproveitar muito bem esta minha fase profissional.

E já estou sabendo que logo, logo teremos uma boneca Flávia Monteiro. Vou querer uma também.

É verdade. As bonecas vão ser fabricadas pela Estrela. Já gravei o comercial, e as bonecas serão lançadas no Brasil e em Portugal. O motivo é fortalecer o meu nome, mas também para testar se realmente a Flávia Monteiro tem ou não força perante o consumidor infantil.

É divertida a idéia de você gravar uma novela na Argentina, que na verdade faz sucesso no Brasil; lançar uma boneca aqui, que não vai estar nas lojas de Buenos Aires, mas em Portugal...

Agora, Luiz, imagina a minha vida e a minha agenda, tendo que estar noventa por cento do tempo em Buenos Aires, e tendo que estar também no Brasil para divulgar a minha imagem e os meus produtos? É uma loucura.

-ENTREVISTÃO! (Revista Carícia)

A intérprete da meiga Carolina na novela Chiquititas falade independência e revela: "Agora quero fazer algo radical"

Como pintou a oportunidade de fazer Chiquititas?

Foi em março de 97, quando o Nílton Travesso (ex-diretor de teledramaturgia do SBT) me convidou para fazer a novela. Ele achou que a personagem Carolina era a minha cara. Uma das pessoas que sempre incentivou minha carreira foi o Nílton. Se não fosse o seu apoio, não estaria aqui.

Você se acha parecida com a Carolina?

Em algumas coisas, sim. Isso de ser mãezona, desuperproteger e querer ajudar as pessoas. Por outro lado, ela é muito certinha. Atura e engole tudo...Eu sou bem mais rebelde e maliciosa. Sou boazinha, sim, mas não pisa no meu pé que viro um tigre feroz!

Você está morando em Buenos Aires por causa das gravações. Como é sua rotina?

Pela primeira vez, estou morando completamente só. É maravilhoso! Estou adorando me virar sem ninguém por perto. Não dá pra curtir mais porque as gravações vão de segunda a sábado, 12 horas por dia. É uma batalha!

"O trabalho é uma batalha, mas a gente brinca muito"

O que mais curte em Buenos Aires?

Tudo é legal. Só não gosto mais porque os amigos e a família estão longe. Eles são o que me faz sentir saudade do Brasil.

Teve dificuldade de se adaptar?

A língua foi a única dificuldade. Paguei cada mico! Por exemplo: correr aqui significa transar. Então, eu falava: "Como corri pra chegar"e as pessoas achavam graça. Já imaginou, né?

Como são os bastidores da novela?

É gostoso, mas tem muita correria. Trabalhar com criança é complicado. É preciso manter todo mundo em ordem. A equipe está superintegrada, o elenco é maravilhoso. A gente brinca muito. Trabalho tem de ter prazer.

Como a produção controla a criançada?

Tem uma moça que cuida das crianças, dá água, não deixa fazer muita bagunça, e outra que passa o texto com elas.

Como é o assédio das crianças?

É um amor, um carinho, uma admiração sem limites. Tudo é muito sincero. As pessoas me param na rua e fico emocionada mesmo! Recebo 500 cartas por mês! Aliás, quero mandar um recado: ando meio atrasada nas respostas, pois estou respondendo uma a uma, à mão. Essas cartas são minha terapia: quando estou mal, dou uma lida nelas e meu ânimo vai a mil!

Não cansa viver tanto tempo a mesma personagem?

Sim, sempre tento buscar coisas novas! A Carolina é complicada, pois é linear, as cenas não permitem inventar algo diferente.

Você tem projetos para outros trabalhos?

Por enquanto, não. Mas adoraria fazer algo bem diferente do que faço agora. De ter que ficar de cabelo curto, de pintá-lo ou fazer um homem, sabe? Radical! Tenho de dar uma cortada na imagem da Carolina. Chiquititas me deu a oportunidade de mostrar que sei cantar, dançar...Agora já estou começando a querer outras experiências.

"Quero fazer algo diferente. Talvez o papel de um homem"

Está querendo sair de Chiquititas?

Não que queria sair, mas adoraria receber novas propostas, de papéis melhores que esse que estou fazendo. Um papel como Hilda Furacão, por exemplo, seria muito bom. A gente tem sempre de pensar pra frente.

Você conquistou sua independência em termos de grana aos 14 anos, quando iniciou a carreira. Como foi isso?

Nunca suportei depender das pessoas pra nada. Essa é uma característica marcante em mim. Então, por esse lado, foi bom. Minhas colegas do colégio só foram trabalhar depois de fazer faculdade.

Como sua família reagiu?

Minha mãe era muito tranqüila, levava-me para os testes e tudo o mais. Já meu pai era do tipo durão! A cabeça dele funcionava assim: até em fazer 18 anos, quem mandava ali era ele, mesmo que eu ganhava meu própria dinheiro.

Então, mesmo com grana...

Ainda dependia dos meus pais. Não tinha essa de viajar sozinha, sair na hora em que bem entendesse e com quem quisesse...Viajava acompanhada e, se fosse com o namorado, meu pai conversava com a família dele e alguém tinha de ir junto. Meu horário para estar em casa era às 22 horas. Um stress! Só fui ficar longe da família aos 21 anos, quando fui morar em São Paulo, por conta do contrato com o SBT. Dividia um apartamento com uma amiga e nos finais de semanda ía para a casa dos meus pais, no Rio de Janeiro.

Ter de seguir as regras de casa gerava algum conflito pra você?

Gerava. Era complicado, pois algumas amigas minhas podiam viajar, por exemplo, e eu não! No meio artístico então, todo mundo era mais pra frente. Porém, não chegava a ter tanto atrito com os meus pais. Apesar de não concordar com eles em alguns aspectos, nunca fiz a linha "filha problema". O conflito era mais comigo mesmo do que com eles.

Quando isso começou a mudar?

Foi aos poucos. Não cheguei a forçar a barra pra isso. Mesmo quando rolava conflito com o meu pai, buscava conversar. "Tá bom, não vou sair, mas por quê?" Sempre fui tranqüila, nunca bati porta nem gritei. Isso demonstra maturidade, passa confiança. Avancei devagar. Quando me dei conta, já estava chegando tarde, viajando...

"Confiança é fundamental pra conquistar a independência"

Você não se sentiu meio perdida?

O que aconteceu foi o seguinte: minhas amigas do colégio ficaram pra trás porque nossa realidade já não era a mesma e passei a conviver com pessoas mais velhas, o que me levou a ficar mais adulta em alguns aspectos. Acho que foi bom pra mim.

Acha que deixou de viver algum coisa por ter ído à luta com pouca idade?

Não. Aproventei bastante a minha adolescência. Óbvio que não como as minhas amigas, que iam a festinhas, ficavam com os meninos...Até porque, aos 17 anos, engatei um namoro sério que durou cinco anos.

Não curtiu por causa do trabalho ou pela sua postura?

As duas coisas. Não consegui ir a festas e ficar com um cara, pois achava que rolava interesse deles. Então, fui me afastando das pessoas da minha idade e elas de mim. Não tinha tempo pra conversar, pois trabalhava muito. No colégio, lembro-me de que rolava inveja, de me acharem fresca.

Foi difícil encontrar equilíbio, em meio a tudo isso?

Um pouco. Por isso, recentemente fiz terapia (risos)! Queria trabalhar o fato de ter pulado fases descomplicadas da adolescência. Achava que ainda conservava comportamentos imaturos demais para a minha idade. Mas não era nenhum problema de estrutura. Sim, porque, se não tiver uma boa estrutura, você pira! Minha família teve essa noção. Tanto que meu pai, antes de me deixar fazer o primeiro filme, me levou a uma psicóloga para saber se eu podia assumir um trabalho daquele. Ela fez uma análise e disse que tudo bem, podia ir em frente numa boa. Nunca fui influenciável.

O que você pensa quando vê a galera mais jovem batendo o pé por independência?

As pessoas não têm de se apressar. A ansiedade de ganhar o mundo deve ser controlada. Tudo tem a sua hora. Não é porque o seu amigo já descola a grana dele no trabalho que você tem de fazer o mesmo. Cada um direciona a sua vida de um jeito, de acordo com as circunstâncias e as necessidades. Não deixe que a ânsia de independência a impeça de aproveitar cada momento. E independência só é bom com responsabilidade.